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29 de maio de 2013

Roteiro para estudos e análise quantitativa com GoldVarb 2001









Roteiro para estudos e análise quantitativa com GoldVarb 2001
Diana Pilatti Onofre
dianapilatti@hotmail.com
Este roteiro tem como objetivo nortear acadêmicos do Curso de Letras (e áreas afins) quanto aos estudos Sociolinguísticos utilizando o programa GoldVarb 2001. Partindo de orientações simples e práticas de como abrir, localizar e inserir informações no programa.
GoldVarb 2001 é uma versão para ambiente Windows do pacote de programas VarbRul - do inglês Variable Rules Analysis, “é um conjunto de programas computacionais de análise multivariada, especificamente estruturado para acomodar dados de variação sociolinguística” (GUY e ZILLES, 2007, p. 105).
O programa foi desenvolvido na Universidade de York, como um projeto colaborativo entre o Departamento de Língua e Linguística e o Departamento de Ciências da Computação. (ROBINSON, LAWRENCE & TAGLIAMONTE, 2001)
Por ser um aplicativo .exe (executável) não necessita de instalação ou de outros programas para complementá-lo.



Leia o texto na íntegra clicando aqui.


26 de maio de 2013

EXERCÍCIOS DE COMPREENSÃO OU COPIAÇÃO NOS MANUAIS DE ENSINO DE LINGUA? - LUIS ANTÔNIO MARCUSHI






EXERCÍCIOS DE COMPREENSÃO OU COPIAÇÃO NOS
MANUAIS DE ENSINO DE LINGUA?

Luiz Antônio Marcuschi[1]

O problema
            Quase todos os manuais de ensino de Língua Portuguesa apresentam uma seção de exercícios chamada Compreensão, Interpretação, Entendimento de texto, ou algo semelhante. Essa parte da aula deveria exercitar a compreensão, aprofundar o entendimento e conduzir a uma reflexão crítica sobre o texto. A iniciativa é elogiável e extremamente necessária, pois a compreensão deve ser treinada, já que não é uma     habilidade inata, transmitida geneticamente pela espécie humana. Além disso, a compreensão de texto é um dos aspectos básicos no domínio do uso da língua.
            Neste ensaio, vamos analisar as atividades desenvolvidas nesse tipo de tarefa escolar e verificar se elas de fato são exercícios de compreensão. A conclusão será bastante melancólica ao descobrirmos que, em sua maioria, esses exercícios não passam de uma descomprometida atividade de copiação e, neste caso, se prestam, na melhor das hipóteses, como exercícios de caligrafia, mas não estimulam a reflexão crítica.


[1] * Este ensaio deve ser visto como uma tentativa de estimular o(a) professo(a) a ir além dos manuais que ele/ela recebe em sala de aula. Por isso, se atém ao estritamente essencial. Quanto à bibliografia, friso que ela não aparece no final e sim nestas notas de rodapé. Este procedimento pareceu-me mais útil. Portanto, as notas deveriam ser lidas para maior proveito.
** Professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).


Continue lendo clicando aqui.

21 de maio de 2013

Conversa de Passarinhos - Alice Ruiz e Maria Valéria Rezende



Alguns haikais de "Conversa de Passarinhos" - Alice Ruiz e Maria Valéria Rezende  


pássaro sem nome
pergunta: quem é?
todos respondem


basta um galhinho
e vira trapesista
o passarinho


dia de preguiça
até o bem-te-vi
diz te vi


mão de menino
sobe uma pedra nos ares
cai passarinho


canto dos pássaros
tocadas pelo vento
as árvores dançam


pipas no céu
entre pássaros de penas
asas de papel


na flor de romã
minúsculo helicóptero
beija flor da manhã




Leia uma resenha do livro Conversa de Passarinho



Clique nas imagens para ampliar:
Introdução do livro Conversa de Passarinho


Jardim de Hajin - Allice Ruiz




Escolhi as poesias que mais gostei deste livro =) Jardim de Haijin - Alice Ruiz


dia de chuva
orquídeas na cozinha
espiam pela janela


flor de abóbora
pétalas que voam
uma borboleta


pétala vermelha
caminhando pelas pedras
pequena formiga


manhã de primavera
para todas as flores
dia de estreia


folhas ao vento
árvore, cadernos
uma sinfonia


passeio no Ibirapuera
uma cerejeira florida
interrompe a conversa


refletido no lago
morreu de sede
árvore do cerrado


árvore seca
na ponta do galho
brilha uma estrela

 
Introdução do Livro "Jardim de Hajin" de Alice Ruiz
 

18 de julho de 2012

Ensaio sobre a amizade




Ensaio sobre a amizad

Lya Luft

                             A amizade é um meio-amor, sem algumas das vantagens dele mas sem o ônus do ciúme – o que é, cá entre nós, uma bela vantagem. Ser amigo é rir junto, é dar o ombro para chorar, é poder criticar (com carinho, por favor), é poder apresentar namorado ou namorada, é poder aparecer de chinelo de dedo ou roupão, é poder até brigar e voltar um minuto depois, sem ter de dar explicação nenhuma. Amiga é aquela para quem se pode ligar quando a gente está com febre e não quer sair para pegar as crianças na chuva: a amiga vai, e pega junto com as dela ou até mesmo se nem tem criança naquele colégio.
                            Amigo é aquele a quem a gente recorre quando se angustia demais, e ele chega confortando, chamando de “minha gatona” mesmo que a gente esteja um trapo. Amigo, amiga, é um dom incrível, isso eu soube desde cedo, e não viveria sem eles. Conheci uma senhora que se vangloriava de não precisar de amigos: “Tenho meu marido e meus filhos, e isso me basta”. O marido morreu, os filhos seguiram sua vida, e ela ficou num deserto sem oásis, injuriada como se o destino tivesse lhe pregado uma peça. Mais de uma vez se queixou, e nunca tive coragem de lhe dizer, àquela altura, que a vida é uma construção, também a vida afetiva. E que amigos não nascem do nada como frutos do acaso: são cultivados com… amizade. Sem esforço, sem adubos especiais, sem método nem aflição: crescendo como crescem as árvores e as crianças quando não lhes faltam nem luz, nem espaço, nem afeto.

(Lya Luft)

Drumundana




Drumundana

E agora Maria?
o amor acabou
a filha casou
o filho mudou
teu homem foi pra vida
que tudo cria
a fantasia
que você sonhou
apagou
à luz do dia

E agora Maria?
vai com as outras
vai viver
com a hipocondria.


(Alice Ruiz )

17 de julho de 2012

Milágrimas



Milágrimas 

Alice Ruiz

Em caso de dor, ponha gelo. Mude o corte do cabelo. Mude como modelo. Vá ao cinema, dê um sorriso. Ainda que amarelo. Esqueça seu cotovelo. Se amargo for já ter sido. Troque já este vestido. Troque o padrão do tecido. Saia do sério deixe os critérios. Siga todos os sentidos. Faça fazer sentido. A cada milágrimas sai um milagre. Em caso de tristeza vire a mesa. Coma só a sobremesa. Coma somente a cereja. Jogue para cima, faça cena. Cante as rimas de um poema. Sofra apenas, viva apenas. Sendo só fissura, ou loucura. Quem sabe casando cura. Ninguém sabe o que procura. Faça uma novena, reze um terço. Caia fora do contexto, invente seu endereço. A cada milágrimas sai um milagre. Mas se apesar de banal. Chorar for inevitável. Sinta o gosto do sal. Sinta o gosto do sal. Gota a gota, uma a uma. Duas, três, dez, cem mil lágrimas, sinta o milagre. A cada milágrimas sai um milagre.




Fonte Patrícia Ximenes

13 de junho de 2012

Poetrix de A a W



Poetrix de A a W


Abro a alma
Alva
Assim ausente.


Bela
Brisa beija
Beleza!


Costuro
Caminhos cruzados
Cambaleando...



Deveria
Dizer depois
Desisto...


Erros
Eternizados
Expiados!


Faço frete
Força
Frutos, fonemas...



Grito
Gerúndios
Ganindo!


Hei!
Homem
Hora H!



Irmão
Inquieto
Isola-se...


Juras
Jejum
Jaz...


Kibe
Kibon
Kiss...


Laços leves
Ligam
Luas lilases...


Minhas mãos
Mastigam
Mitigam meu mal...


Nego
Nessa noite
Nosso negócio...


Outro olho
Olhava
O olho ousava...


Pensar
Poderia pesar
Porém, pulsa...


Quando
Quase quis
Quimera!



Roteiro
Revisitado
Rumo resolvido...


Segui
Sua saga
Seduzido!



Talhei
Tua tez
Tremendo!


Um, uma
Uns
Universos!


Verso voraz
Verte
Verdades vivas!


Xeique
Xarope
Xaveco!

Xepa
Xaxado
Xenxém!


Zinho
Zagucho
Zanzando!


Walt
World
Whitmann.
 
 

13 de novembro de 2011

As vozes dos animais

As vozes dos animais

[Pergunta] Gostaria de obter todas as onomatopeias referentes aos sons emitidos por animais, bem como o seu nome. Por ex.: cão – au au – ladrar. Balir é o nome que se dá ao som emitido pelas ovelhas e cabras?

Rui Campos :: :: Portugal

[Resposta] Balir é, de fato, como se denomina o som emitido pelas ovelhas e pelas cabras.
Quanto ao que pede, desconhecemos a existência de uma lista tão exaustiva como a que pretende. Para além do que poderá comparar no endereço Vozes dos Animais – e do que já consta em diversas respostas anteriores, aqui no Ciberdúvidas –, limitamo-nos a reproduzir, com a devida vênia, o que sobre o tema registraram Rodrigo de Sá Nogueira, no Elementos de Fonética Portuguesa, J.M. de Castro Pinto, no Novo Prontuário Ortográfico (Plátano Editora, Lisboa), Edite Estrela, Maria Almira Soares e Maria José Leitão, no Saber Escrever, Saber Falar (ed. Dom Quixote, Lisboa, 2004) e Júlio de Lemos, no Pequeno Dicionário Luso-Brasileiro (Onomatopeias e Definições),  edição de Álvaro Pinto (Revista de Portugal, 1950).
Abelha: azoina, zoa, zonzoneia, zumba, zumbe, zune, zunzuna
Abutre, aço: crocita, grasna
Águia: crocita, grasna, grita, guincha
Andorinha: chirla, chilreia, gazeia, gorjeia, pia, pipila, trinfa, trissa, zinzilula
Anho: bala, bale
Arrara: charla, grasna, grita, parla, taramela
Aganaz: chia
Asno: vd. Burro
Avestruz: grasna, ronca, ruge
Baleia: bufa
Beija-flor: arrulha, rufla, trissa
Besouro: zoa, zumbe, zune
Bezerro: berra, muge
Bisonte: berra, brama, muge
Bode: bala, bale, berra, bodeja, gagueja, regouga
Boi: muge, arrua, berra, ronca, urraBorboleta: cicia
Búfalo: berra, brama, muge, sopra
Borrego: bale, borrega
Burro: zurra, orneia, orneja, urneja, rebusna, relincha, zorna
Cabra, cabrito: berra, bale berrega, barrega, bezoa
Calhandra: grinfa
Cachorro: ainha, gane, ganiza, late
Camelo: blatera, ronca
Canário: canta, chilreia, estridula, gorjeia, grazina modula, pia, trina, trila, trina
Cão: ladra, late, gane, rosna, uiva, ulula, acua, balsa, cainha, graniza, latica,
Carneiro: berra, bala, bale, berrega, regouga
Cavalo: relincha, rincha, nitra
Cegonha: grita, glotera, grasna, grita
Chacal: uiva, chora, grita, late
Chasco: chasqueia
Cigarra: buzina, canta, fretene, chia, chichia, cicia, cigarreia, estridula, estrila, rechia, rechina, retine, zangarreia, zine, zizia, silva
Cisne: canta, arensa
Cobra: sibila, assobia, chocalha, guizalha, silva
Codorniz: canta
Coelho: chia, guincha
Cordeiro: bale, bala, berrega
Coruja: coruja, pia
Corvo: crocita, grasna, corveja
Cotovia: canta, gorjeia, assobia
Crocodilo: chora, grasna, brame
Cuco: cuca, cucula
Doninha: chia, guincha
Égua: vd. cavalo
Elefante: barre, brame, ronca, trobeteia, urra
Estorninho: pissita, assobia, chilreia
Falcão: crocita, pia, pipia
Gafanhoto: chichia, zizia, zumbe
Gaio: grasna, gralha
Gaivota: grasna, guincha, pipila
Galinha: cacareja, carcareja, carcareia, cocoreja
Galo: canta, cucurita, cucurica, clarina, cocoria
Gamo: brame
Ganso: grita, grasna, grassita
Garça: gazeia, arrulha
Gato: mia, resbuna, resmoneia, ronca, ronrona, roufenha, rosna, bufa, sopra
Gavião: atita, guincha, grita
Gazela: berra, grita
Girafa: chora
Gralha: gralha, gralheia, grasna
Grilo: canta, estridula, estrila, grilha, guizalha, trila, tritina
Grou: grulha, grasna, grugrulha, grui
Hiena: uiva, chora, gargalha, gargalheia, gargalhadeia, urra
Hipopótamo: grunhe, ronca, sopra
Jaguar: vd. onça
Javali: grunhe, ronca, rosna, ruge, arrua, cuincha
Jumento: azurra, orneia, orneja, rebusna, zorna, zurra
Lagarto: geca
Leão: ruge, urra, brama, brame, freme, rosna
Lebre: chia, berra
Leitão: cuincha, cuinca, bacoreja
Lince:ronca
Lobo: uiva, ulula, ladra, bufa
Lontra: chia, guincha, assobia
Macaco: guincha, chia, assobia, cuincha, charla
Melro: assobia, canta
Milhafre: crocita
Mocho: pia, chirreia, coruja, ri
Morcego: farfalha, trissa
Mosca: zoa, zine, zumbe, zune, zumba zizia, zonzoneia, zunzuna, sussurra, azoina
Mosquito: zumbe, trobeteia, zoina
Onça: esturra, mia, ruge, urra, geme, urra
Ouriço: ronca
Ovelha: bale, bala, berra, berrega
Pantera: mia, rosna, ruge
Papagaio: parla, fala, charla, charleia, fala, parlreia, taramela, tartareia, regouga
Pardal: chilreia, chilra, chia, pipila, grazina
Pato: grasna, grasne, grassita, guauaxa
Pavão: grita, pupila, canta
Pega: parla, tagarela, galreja, garla, grasna
Peixe: ronca
Pelicano: grasna, grassita
Perdiz, perdigão: cacareja, pia, pipia, ronca
Periquito: charla, charleia,chirleia, grasna parla
Peru: gorgoleja, grugruleja, grugrulha, grulha, cacareja, bufa
Pica-pau: estridula, restridula
Pintarroxo: canta, gorjeia, trina, assobia, gorjeia
Pintassilgo: canta, chilreia, geme, gorjeia, modula, trina
Pinto: pia
Pombo: arrulha, geme, rulha, suspira, turturilha, tuturina
Porco: grunhe, ronca, guincha
Poupa: arrulha, geme, rulha, turturina
Rã: coaxa, grasna, engrola, malha, rouqueja
Raio: coaxa, rala
Raposa: regouga, ronca, uiva, grita
Rato: chia, guincha
Rinoceronte: brame, grunhe, bufa, grunhe
Rola: geme
Rouxinol: canta, gorjeia, trina, chilreia
Sapo: coaxa, gargareja, grasna, grasne, ronca, rouqueja
Serpente: assobia, silva, funga
Tentilhão: canta, trina, gorjeia
Tigre: ruge, brame, mia, ruge, urra, brada
Tordo: trucila
Toupeira: chia
Touro: muge, berra, urra, bufa, sopra
Tucano: charla
Urso: brame, brama, ronca, ruge, chora
Vaca: muge, berra, rebrama
Veado: brame
Vitela: muge, berra
Vespa: vd. abelha
Zebra: relincha, zurra, ronca

J.M.C. :: 18/02/2004

9 de novembro de 2011

Perdão

Perdoe-me
se me perdi em teus beijos.
Perdoe-me
se eu amei como sei
sem saber de você.
E mesmo por ter os olhos fechados
perdoe-me...


(do poeta Carlos Vilarinho)
http://www.recantodasletras.com.br/poesias/3304555

29 de setembro de 2011

Modelos de Documentos


8 de agosto de 2011

Contos de Aprendiz


A salvação da alma – Eram cinco filhos, quatro meninos e uma menina. Moravam em uma cidadezinha onde brigar era coisa comum e questão de fazer valer sua honra. Os meninos mesmo brigavam muito entre si. O filho mais velho, Miguel, tinha ido pra cidade grande fazer o colegial deixando os outros irmãos que sempre imaginavam que com o irmão mais velho ali as coisas seriam diferentes. Ester, a única filha mulher, era o meio dos rapazes conseguirem dinheiro, vendiam a ela coisas que encontravam e ela sempre comprava, pois o pai sempre lhe dava dinheiro. Com a chegada de alguns padres na região os meninos foram levados pra confessar. Depois disso Tito, que era o penúltimo filho, chegou ao seu irmão mais novo com quem sempre brigava e humilhava nas lutas e pediu perdão, ofereceu-se a fazer qualquer coisa, primeiramente o menino disse que já tinha o perdoado, mas depois deu a ele pra se redimir a pena de levá-lo montado em suas costas e a cada distância gritar que era um burro. Como o irmão passara a andar devagar com ele em cima o mais novo lhe chutou as virilhas. Rolaram no chão em brigas e no outro dia não puderam comungar.

Sorvete – Joel e seu colega moravam em uma pequena cidade, no entanto, para quem vinha do campo já era de se impressionar. Os meninos costumavam ir ao cinema, mas em uma tarde ao passarem pela confeitaria viram um anúncio em que se oferecia sorvete de abacaxi, especialidade da casa. O amigo de Joel quis deixar o filme para ficar e tomar o sorvete, porém acabaram indo para o cinema. Lá não conseguiam prestar atenção, só pensavam no sorvete. Abandonaram o filme e foram à confeitaria. Experimentaram e odiaram, Joel comeu do mesmo jeito e o amigo foi obrigado a comer também. Deixar o sorvete na taça era ferir a honra da família. Ambos tomaram até o fim aquele sorvete que odiaram.

A doida – Na cidade havia uma doida, muitas justificativas do porquê que se tornara louca. Vivia em uma casa isolada de onde, às vezes, saia uma nega que por três meses ou menos trabalhou ali como doméstica. Os adultos para assustar as crianças faziam ameaças como: “você vai almoçar com a doida, dormir, morar com ela”. Certa vez um grupo de meninos tacava pedras na casa da doida, queriam vê-la sair da janela gritando palavrões, no entanto, ela não apareceu. O mais novo dos garotos encheu-se de coragem e penetrou o jardim, logo estava dentro da casa e os outros meninos já tinham ido embora. Na casa suja e destruída encontrou um quarto nas mesmas circunstâncias, porém ali estava a doida, ao vê-la não quis mais machucá-la, pelo contrário, percebeu que ela estava à beira da morte e se compadeceu, ficando junto dela esperando o momento chegar.

Presépio – Das dores era jovem e seu pai a enchia de tarefas para que ela não ficasse com tempo vago pra pensar em bobeiras. Nem por isso a menina deixara de viver, tinha um namorado, Abelardo. Naquele dia era véspera de natal e ele tinha ido visitá-la. A visita atrasou a finalização do presépio. Era isso que afligia Das dores, ela era a única que sabia montar corretamente o presépio e tinha que terminá-lo naquela noite, mas terminar aquilo a impediria de ir à missa de galo para ver Abelardo. Ela conhecia bem o relógio e como as horas voam quando se precisa dela, os irmãos ainda a atrapalhavam e a visita de amigas para combinar o horário de irem à missa também. Das dores montava o presépio, mas em cada objeto só via e pensava em Abelardo.

Câmara e cadeia – Estavam todos os homens da Câmara Municipal ali discutindo os impostos a serem cobrados, no entanto, entre todos aqueles homens só um fazia o trabalho, Valdemar. O calor abafava a sala e ele foi até a janela onde ficou olhando as redondezas. Embaixo da câmara ficava a cadeia, ele se lembrou de quando era menino e como a imagem dos presos já lhe era familiarizada. Foi em meio a isso que ouviu barulhos que o fez voltar à sala. Um preso havia fugido e ido lá para a câmara, os homens gritavam querendo o submeter à sua “autoridade”, Valdemar convenceu o preso de se sentar e ali ele contou que abrira a fechadura e saíra, tinha ido até lá para ver os homens que pisam na cabeça dos presos, contou também do calor e das nojentas refeições da cadeia. Até que Valdemar levantando disse que teria que prendê-lo novamente, o preso naturalmente tentou fugir, Valdemar deixou o problema com os policiais que já o perdiam de vista na fuga.

Beira rio – As chamadas terras da companhia eram lideradas pelo capitão Bonerges. Lá as bebidas alcoólicas eram proibidas e talvez por isso os trabalhadores fossem tão desanimados, não tinham o que lhes fizesse esquecer a realidade. Até que chegou por ali um negro que vendia bebida, claro que agia de forma escondida, porém nos trabalhadores logo se encontrou uma animação e disposição para o trabalho nunca visto. Bonerges desconfiando enviou dois homens para que rondassem o negro e o retirassem das terras com suas bebidas, no entanto eles voltaram alegando nada ter encontrado, mas seus bafos eram de bebida. Bonerges então chamou o capitão do destacamento policial. Eles chegaram e logo o negro afirmou ter licença do governo para ter aquele comércio ali, no entanto os homens destruíram a vendinha e todos os produtos obrigando o negro ir embora, esse foi, mais sem pressa, caminhando lentamente mesmo ao som dos tiros.

Meu companheiro – O homem na estrada pagara mais que o necessário por um cachorrinho, não passava de um vira-lata, mas tinha traços de cães de raça. Levou-o pra casa e já lhe dera o nome de pirulito para evitar confusões. A mulher não era muito chegada a animais de estimação, gostava do bichinho, mas não se aproximava. Ao filho mais novo foi dado o título de dono, porém pirulito gostava mesmo era do homem e ele do cachorrinho. Os dois eram companheiros e se punham a conversar, os meninos até implicavam, pois o cachorro gostava de gente “velha”. Então certo dia o cachorro desapareceu, o homem até pensou ter sido ação da esposa, mas logo desconsiderou, só sabia que o amigo tinha ido embora como muitas pessoas fazem.

Flor, telefone, moça – Uma amiga lhe contou essa história. Uma moça morando em uma cidadezinha vivia em uma casa ao lado do cemitério. A diversão muitas vezes era assistir os velórios. A menina de tanto acompanhar tais eventos se habituou ao cemitério e por lá já passeava. E foi em um de seus passeios que arrancou do chão uma florzinha insignificante e, instantes depois, a lançou fora sem maiores preocupações. Foi ai que começou a receber ligações de uma voz distante e suplicante que todo dia ao mesmo horário pedia sua flor de volta, aquela que nascera em sua cova. Como as ligações não paravam a menina contou aos pais que pediram ajuda policial até que só passaram a acreditar no conteúdo espiritual daquela voz e procuraram em centros ajuda. A voz não parou e ligou até que a menina de tal forma perturbada morreu.

A baronesa – Luis vivia naquela casa há um bom tempo e só vira a rica baronesa quatro vezes. E no dia da morte dela, saiu correndo em busca de Renato, o sobrinho-neto. Chegou a casa dele e juntos voltaram para a casa onde a baronesa vivia. Tratava-se de uma rica senhora e quanto mais cedo se chegasse de mais jóias se apoderaria. Renato chegou, entrou no quarto e pegou o poço que sobrara, incomodando a posição de morte da baronesa, e depois saiu do quarto. Luis o esperava, entraram no banheiro e fizeram a partilha justa das jóias da morta.

O gerente – Samuel não se casara, era o gerente bem sucedido do banco, vivia a freqüentar a sociedade até que incidentes se deram. Primeiro ao beijar a mão de uma dama a quem cumprimentava essa começou a sangrar, outra vez depois do jockey novamente quando ia beijar a dama em despedida passou correndo em um cavalo um homem e logo se viu a Mão da mulher sangrando. O médico avaliou que o dedo tinha perdido sua ponta através de uma mordida e logo acusaram Samuel, a polícia o questionou mas em nada resultou. Em uma festa, novamente ao cumprimentar uma dama, ao mesmo tempo em que um garçom passava a ponta do dedo lhe foi arrancada. A essa altura as mulheres temiam os cumprimentos de Samuel. Teve por fim uma última dama com quem tomara um sorvete e conversara sobre o inventário e outra coisa, quando foi se despedir entrou um homem vendendo lâminas e o dedo da viúva sangrou depois do beijo. Com isso, Samuel foi afastado do banco e foi morar em São Paulo, trabalhando no banco de lá, anos depois voltou ao Rio e se encontrou com a viúva que perdera a ponta do dedo, porém ela tinha adquirido uma infecção e teve o braço amputado. Os dois continuaram o encontro, porém apenas bebendo muito. Na manhã seguinte Samuel voltou a São Paulo sem finalizar o negócio que tinha levado ao Rio.

Nossa amiga – Uma menina de três anos vivia entre duas casas, para as quais ia sozinha mesmo. Para evitar a mão bisbilhoteira criaram Catarina, uma menina que por brincar com um cachorrinho de vidro que a mãe não tinha permitido, quebrou-o e virou uma borboleta “bruxa”. E Pepino que era um velho bêbado e curvado que pegava as crianças. Às vezes a menina não queria ir embora de uma casa para outra com medo do Pepino, falavam que iriam dar uma festa e chamar Pepino só para a menina ver como ele era bonzinho e ela com raiva ia embora dizendo que não viria à festa, mas logo voltava arrumada e de banho tomado. Festas era o motivo pelo qual ela tomava banho. Por fim, brincava também de mamãe, usando frases colhidas da conversa dos adultos.

Miguel e seu furto – Miguel se tornou um homem simpático, porém nunca assumira uma posição na vida e agora, findado o seu sustento, dormia em jornais. E foi lendo as manchetes desses que teve a grande idéia de roubar o mar. E assim o fez, mesmo que o mar ficasse no mesmo local novas regras tinham sido estabelecidas, como o imposto pago a Miguel e a proibição dos banhos para manter a moralidade. Ele se tornou tão rico que queimava sua riqueza para ter onde guardar as coisas que constantemente adquiria. Porém, um dia um menininho saiu correndo e arrancando suas roubas corajosamente nadou no mar e logo o povo juntou pra ver, e outro menino entrou e de repente todos se apoderavam novamente do mar. Miguel depositou sua fortuna em bancos seguros e passou a colecionar conchinhas para se lembrar de sua ex-propriedade.

Conversa de velho com criança – Ele observa o velho e a menina no ônibus. A menina, como descobriu perguntando, chamava Maria de Lourdes e o velho descobriu que chamava-se Ferreira ouvindo a conversa dos dois. A menina trazia um pacote de balas como a um tesouro e o velho vinha carregado de compras e em pé. Quando o cobrador veio, com dificuldade o velho arrancou do bolso uma moeda para pagar a passagem, porém essa lhe caiu das mãos indo parar na rua. Pararam o bonde e procuraram a moeda e como não a acharam o velho não teve que pagar. A menina ofereceu uma bala a Ferreira que aceitou, ambos eram amigos, notava-se só de olhar, percebia-se também que a menina só oferecera a bala para ela também poder comer. Quando o bonde parou os dois desceram e o homem ficou a se perguntar se eram grandes amigos ou apenas vô e neta muito amigos.

Extraordinária conversa com uma senhora de minhas relações – Ele estava em pé no ônibus se segurando pelas argolas que ficam no teto, ela estava sentada e, como eram conhecidos, sorriram. Ele não se lembrou da imagem dela, até porque a via de cima pra baixo, então quando ela o cumprimentou com um bom dia tentou decifrar quem era através da lembrança da voz. Não conseguiu e se pôs em avaliações sobre o vestido dela, o valor que dava as curvas certas e os limites que impunha. Ela lhe perguntou como ia e só na segunda vez que ele a respondeu com versos, segundos depois corrigidos pela pergunta certa, “Vou bem. E a senhora como vai?”, ao que ela lhe falou sobre sua preocupações com um gato, eletrocardiogramas e etc. No entanto, ele não a ouvia pois se questionava sobre ultrapassar ou não os limites. Depois disso o ônibus parou e ela desceu, sendo pra ele essa a mais extraordinária conversa que tivera com damas de sua relação.

Um escritor nasce e morre – Ele morava em uma cidadezinha pequena e em uma aula de geografia a professora falava sobre países longes e citou o Pólo Norte, foi ali que o escritor nasceu. Escreveu a viagem da sua cidadezinha ao Pólo Norte, a professora tomou o texto e o afirmou como um grande escritor. Foi assim que ele cresceu e foi embora, escreveu contos e poesias, não gostava de se achar um escritor literado e fazia críticas aos outros. Ao fundo ouvia uma voz que lhe afirmava ser um artista nato. Então aos trinta anos morreu.


Por Rebeca Cabral
do Canal Vestibular
URL: http://www.vestibular.brasilescola.com/resumos-de-livros/contos-aprendiz.htm

Contos Pátrios - Olavo Bilac



BILAC, Olavo & NETTO, Coelho. Contos Pátrios. Francisco Alves, RJ, 1931, 27ª ed. (ilustrado por Vasco Lima)

7 de agosto de 2011

A velhice



A velhice



O neto:
Vovó, por que não tem dentes?
Por que anda rezando só.
E treme, como os doentes
Quando têm febre, vovó?
Por que é branco o seu cabelo?
Por que se apóia a um bordão?
Vovó, porque, como o gelo,
É tão fria a sua mão?
Por que é tão triste o seu rosto?
Tão trêmula a sua voz?
Vovó, qual é seu desgosto?
Por que não ri como nós?
 
A Avó:
Meu neto, que és meu encanto,
Tu acabas de nascer...
E eu, tenho vivido tanto
Que estou farta de viver!
Os anos, que vão passando,
Vão nos matando sem dó:
Só tu consegues, falando,
Dar-me alegria, tu só!
O teu sorriso, criança,
Cai sobre os martírios meus,
Como um clarão de esperança,
Como uma benção de Deus!
 

Olavo Bilac
In: Poesias Infantis
RJ: Francisco Alves, 1929.