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8 de dezembro de 2007

Não te Amo


Não te amo, quero-te: o amor vem d'alma.
         E eu n'alma - tenho a calma,
         A calma - do jazigo.
         Ai! não te amo, não.

Não te amo, quero-te: o amor é vida.
         E a vida - nem sentida
         A trago eu já comigo.
         Ai, não te amo, não!

Ai! não te amo, não; e só te quero
         De um querer bruto e fero
         Que o sangue me devora,
         Não chega ao coração.

Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela.
         Quem ama a aziaga estrela
         Que lhe luz na má hora
         Da sua perdição?

E quero-te, e não te amo, que é forçado,
         De mau feitiço azado
         Este indigno furor.
         Mas oh! não te amo, não.

E infame sou, porque te quero; e tanto
         Que de mim tenho espanto,
         De ti medo e terror...
         Mas amar!... não te amo, não.


Almeida Garrett

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