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14 de dezembro de 2007

VIII


nunca quis ser freguês distinto
pedindo isso e aquilo
vinho tinto
vinho tinto
obrigado
hasta la vista

queria entrar
com os dois pés
no peito dos porteiros
dizendo pro espelho
- cala a boca
e pro relógio
abaixo os ponteiros

Paulo Leminski
9 Poemetos

IX


nem toda hora
é obra
nem toda obra
é prima
algumas são mães
outras irmãs
algumas
clima

Paulo Leminski
9 Poemetos

VI


uma carta uma brasa através
por dentro do texto
nuvem cheia da minha chuva
cruza o deserto por mim
a montanha caminha
o mar ente os dois
uma sílaba um soluço
um sim um não um ai
sinais dizendo nós
quando não estamos mais

Paulo Leminski
9 Poemetos

VII


Pariso
Novayorquizo
moscoviteio
sem sair do bar
só não levanto e vou embora
porque tem países
que eu nem chego a madagascar

Paulo Leminski
9 Poemetos

IV - Manchete



Chutes de poeta
Não levam perigo à meta

Paulo Leminski
9 Poemetos

V


apagar-me
diluir-me
desmanchar-me
até que depois
de mim
de nós
de tudo
não reste mais
que o charme

Paulo Leminski
9 Poemetos

II


Vim pelo caminho difícil,
a linha que nunca termina,
a linha bate na pedra,
a palavra quebra uma esquina,
mínima linha vazia,
a linha, uma vida inteira,
palavra, palavra minha.

Paulo Leminski
9 Poemetos

III


O paulo leminski
é um cachorro louco
que deve ser morto
a pau a pedra
a fogo a pique
senão é bem capaz
o filhadaputa
de fazer chover
em nosso piquenique

Paulo Leminski
9 Poemetos

I



É quando a vida vase
É quando como quase.
Ou não, quem sabe.

Paulo Leminski
9 Poemetos