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30 de novembro de 2008

Lembrança de Morrer


Lembrança de Morrer


Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nenhuma lágrima
Em pálpebra demente.

E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.

Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poento caminheiro,
... Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;

Como o desterro de minh’alma errante,
Onde fogo insensato a consumia:
Só levo uma saudade... é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.

Só levo uma saudade... é dessas sombras
Que eu sentia velar nas noites minhas...
De ti, ó minha mãe, pobre coitada,
Que por minha tristeza te definhas!

De meu pai... de meus únicos amigos,
Pouco - bem poucos... e que não zombavam
Quando, em noites de febre endoudecido,
Minhas pálidas crenças duvidavam.

Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda,
É pela virgem que sonhei... que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!

Só tu à mocidade sonhadora
Do pálido poeta deste flores...
Se viveu, foi por ti! e de esperança
De na vida gozar de teus amores.

Beijarei a verdade santa e nua,
Verei cristalizar-se o sonho amigo...
Ó minha virgem dos errantes sonhos,
Filha do céu, eu vou amar contigo!

Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
Foi poeta - sonhou - e amou na vida.

Sombras do vale, noites da montanha
Que minha alma cantou e amava tanto,
Protegei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramai-lhe canto!

Mas quando preludia ave d’aurora
E quando à meia-noite o céu repousa,
Arvoredos do bosque, abri os ramos...
Deixai a lua pratear-me a lousa!



passamento: morte
poento: empoeirado, coberto por pó
caminehiro: caminhante, viajante
dobre: som do sina dando uma volta sobre o eixo, o que geralmente é sinal de morte
desterro: degredo, solidão
errante: viajante, que anda sem destino
preludiar: ensaiar a voz ou um instrumento musical antes de começar a cantar ou tocar
lousa: laje, pedra de túmulo, nelas geralmente se identifica queme stá enterrado, com o nome e a data de nascimento e morte

Meus Oito Anos

Meus Oito Anos

Oh! Que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras,
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias
Do despontar da existência!
- Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;
O mar é - lago sereno,
O céu - um manto azulado,
O mundo - um sonho dourado,
A vida - um hino d'amor!

Que auroras, que sol, que vida,
Que noites de melodia
Naquela doce alegria,
Naquele ingênuo folgar!
O céu bordado d'estrelas,
A terra de aromas cheia,
As ondas beijando a areia
E a lua beijando o mar!

Oh! dias da minha infância!
Oh! meu céu de primavera!
Que doce a vida não era
Nessa risonha manhã!
Em vez das mágoas de agora,
Eu tinha nessas delícias
De minha mãe as carícias
E beijos de minha irmã!

Livre filho das montanhas,
Eu ia bem satisfeito,
Da camisa aberta o peito,
- Pés descalços, braços nus -
Correndo pelas campinas
À roda das cachoeiras,
Atrás das asas ligeiras
Das borboletas azuis!

Naqueles tempos ditosos
Ia colher as pitangas,
Trepava a tirar as mangas,
Brincava à beira do mar;
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!

(...)

Levando um velho avarento


Levando um velho avarento
Uma pedrada num olho,
Pôs-se-lhe no mesmo instante
Tamanho como um repolho.

Certo doutor, não das dúzias,
Mas sim médico perfeito,
Dez moedas lhe pedia
Para o livrar do defeito.

"Dez moedas! (diz o avaro)
Meu sangue não desperdiço:
Dez moedas por um olho!
O outro dou eu por isso."


Bocage

Lira LXII


Lira LXII


Torno a ver-vos, ó montes; o destino
Aqui me torna a pôr nestes oiteiros;
Onde um tempo os gabões deixei grosseiros
Pelo traje da Côrte rico, e fino.

Aqui estou entre Almendro, entre Corino,
Os meus fiéis, meus doces companheiros,
Vendo correr os míseros vaqueiros
Atrás de seu cansado desatino.

Se o bem desta choupana pode tanto,
Que chega a ter mais preço, e mais valia,
Que da cidade o lisonjeiro encanto;

Aqui descanse a louca fantasia;
E o que té agora se tornava em pranto,
Se converta em afetos de alegria.


Cláudio Manuel da Costa

Sai a passeio

Sai a passeio

XIX

Sai a passeio, mal o dia nasce,
Bela, nas simples roupas vaporosas;
E mostra às rosas do jardim as rosas
Frescas e puras que possui na face.

Passa. E todo o jardim, por que ela passe,
Atavia-se. Há falas misteriosas
Pelas moitas, saudando-a respeitosas...
É como se uma sílfide passasse!

E a luz cerca-a, beijando-a. O vento é um choro
Curvam-se as flores trêmulas... O bando
Das aves todas vem saudá-la em coro ...

E ela vai, dando ao sol o rosto brendo.
Às aves dando o olhar, ao vento o louro
Cabelo, e às flores os sorrisos dando...

O tempo


O tempo


Sou o Tempo que passa, que passa,
Sem princípio, sem fim, sem medida!
Vou levando a Ventura e a Desgraça,
Vou levando as vaidades da Vida!

A correr, de segundo em segundo,
Vou formando os minutos que correm...
Formo as horas que passam no mundo,
Formo os anos que nascem e morrem.

Ninguém pode evitar os meus danos...
Vou correndo sereno e constante:
Desse modo, de cem em cem anos
Formo um século, e passo adiante.

Trabalhai, porque a vida é pequena,
E não há para o Tempo demoras!
Não gasteis os minutos sem pena!
Não façais pouco caso das horas!

27 de novembro de 2008

TOURADA

TOURADA
(Inspirado no filme “Fale com ela”, de Pedro Almodóvar)

Preparo-me para tourear:
Meias de malha,
Colete de pedrarias,
Capa vermelha.

Lá está ele:
O touro preto
Que me persegue e ataca,
O macho indomável
Com olhos de faca.

Rodopio, numa dança,
Estranha bailarina de fogo,
Lidando com o touro na praça.

Vem, animal,
Guardião de meu labirinto,
Vem com teu sêmen,
Teu ardor violento,
Elemento de sangue,
Gênio do vento.

Vem, força descontrolada,
Que agora é tudo ou nada:
Ou te domino
Ou sou dominada
Nesta tourada.

Vem,
Com teus pés de bronze,
Tua alma endurecida,
Teus cascos;
Tens a fúria dos exércitos bascos
E eu, o desejo
De anular-te.

Essa é minha sina,
Minha arte:
Tourear
Até que um dia
Ele me mate.


Raquel Naveira
Revista da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras – n°13 – outubro de 2008

PANAPANÁ


PANAPANÁ

Já viram um panapaná?
É uma onda interminável de borboletas
Que pousam sobre o pântano fumegante,
Batendo as asas impacientes,
Sorvendo sais da lama,
Num desassossego
De seres que não cansam.

Já viram um panapaná?
As borboletas formam nuvens,
Miraculoso caudal
De pétalas alaranjadas,
Perdidas e ligeiras,
Em busca de flamas brilhantes.

Crisálidas,
Meninas aladas,
Espíritos viajantes,
Esvoaçam como almas saídas
De estranhas moradas.

Atravessei o panapaná:
Era um banhado,
Um brejo
Banhado de flores,
Virei fada
Do lado de lá.


Raquel Naveira
Revista da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras – n°13 – outubro de 2008

26 de novembro de 2008

Talvez sonhasse, quando a vi


Talvez sonhasse, quando a vi

I

Talvez sonhasse, quando a vi. Mas via
Que, aos raios do luar iluminada
Entre as estrelas trêmulas subia
Uma infinita e cintilante escada.

E eu olhava-a de baixo, olhava-a... Em cada
Degrau, que o ouro mais límpido vestia,
Mudo e sereno, um anjo a harpa doirada,
Ressoante de súplicas, feria...

Tu, mãe sagrada! vós também, formosas
Ilusões! sonhos meus! íeis por ela
Como um bando de sombras vaporosas.

E, ó meu amor! eu te buscava, quando
Vi que no alto surgias, calma e bela,
O olhar celeste para o meu baixando...


Remorso


Remorso


Às vezes uma dor me desespera...
Nestas ânsias e dúvidas em que ando,
Cismo e padeço, neste outono, quando
Calculo o que perdi na primavera.

Versos e amores sufoquei calando,
Sem os gozar numa explosão sincera...
Ah ! Mais cem vidas ! com que ardor quisera
Mais viver, mais penar e amar cantando !

Sinto o que desperdicei na juventude;
Choro neste começo de velhice,
Mártir da hipocrisia ou da virtude.

Os beijos que não tive por tolice,
Por timidez o que sofrer não pude,
E por pudor os versos que não disse !


Maldição


Maldição

Se por vinte anos, nesta furna escura,
Deixei dormir a minha maldição,
― Hoje, velha e cansada da amargura,
Minha alma se abrirá como um vulcão.

E, em torrentes de cólera e loucura,
Sobre a tua cabeça ferverão
Vinte anos de silêncio e de tortura,
Vinte anos de agonia e solidão...

Maldita sejas pelo ideal perdido!
Pelo mal que fizeste sem querer!
Pelo amor que morreu sem ter nascido!

Pelas horas vividas sem prazer!
Pela tristeza do que eu tenho sido!
Pelo esplendor do que eu deixei de ser!...


A mocidade


A mocidade


A mocidade é como a primavera!
A alma, cheia de flores resplandece,
Crê no Bem, ama a vida, sonha e espera,
E a desventura facilmente esquece.

É a idade da força e da beleza:
Olha o futuro, e inda não tem passado:
E, encarando de frente a Natureza,
Não tem receio do trabalho ousado.

Ama a vigília, aborrecendo o sono;
Tem projetos de glória, ama a Quimera;
E ainda não dá frutos como o outono,
Pois só dá flores como a primavera!






Eu queria aprender
o idioma das árvores.
Saber as conções do vento
nas folhas da tarde.
Eu queria apalpar os perfumes do sol.


Manoel de Barros
in Cantigas por um passarinho a toa


Ora (direis) ouvir estrelas!


Ora (direis) ouvir estrelas!

XIII

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-Ias, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto ...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas."

Olha-me!


Olha-me!

XX

Olha-me! O teu olhar sereno e brando
Entra-me o peito, como um largo rio
De ondas de ouro e de luz, límpido, entrando
O ermo de um bosque tenebroso e frio.

Fala-me! Em grupos doudejantes, quando
Falas, por noites cálidas de estio,
As estrelas acendem-se, radiando,
Altas, semeadas pelo céu sombrio.

Olha-me assim! Fala-me assim! De pranto
Agora, agora de ternura cheia,
Abre em chispas de fogo essa pupila...

E enquanto eu ardo em sua luz, enquanto
Em seu fulgor me abraso, uma sereia
Soluce e cante nessa voz tranqüila!




doudejantes > de doidejar: Praticar doidices, loucuras, desatinos; disparatar. Brincar; foliar; folgar. Vagabundear, vadiar, vaguear; errar.

Definições: Dicionário Aurélio digital

Nel mezzo del camin...


Nel mezzo del camin...

Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E a alma de sonhos povoada eu tinha...

E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.

Hoje, segues de novo... Na partida
Nem o pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.

E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto que desaparece
Na extrema curva do caminho extremo.

21 de novembro de 2008

A Sua - Marisa Monte



A Sua
Marisa Monte


Eu só quero que você saiba
Que estou pensando em você
Agora e sempre mais
Eu só quero que você ouça
A canção que eu fiz pra dizer
Que eu te adoro cada vez mais
E que eu te quero sempre em paz

Tô com sintomas de saudade
Tô pensando em você
E como eu te quero tanto bem
Aonde for não quero dor
Eu tomo conta de você
Mas te quero livre também
Como o tempo vai e o vento vem

Eu só quero que você caiba
No meu colo
Porque eu te adoro cada vez mais
Eu só quero que você siga
Para onde quiser
Que eu não vou ficar muito atrás

Tô com sintomas de saudade
Tô pensando em você
E como eu te quero tanto bem
Aonde for não quero dor
Eu tomo conta de você
Mas te quero livre também
Como o tempo vai e o vento vem

Eu só quero que você saiba
Que estou pensando em você
Mas te quero livre também
Como o tempo vai e o vento vem
E que eu te quero livre também
Como o tempo vai e o vento vem





* Imagem: Google

9 de novembro de 2008

Candida: Prevenção e Tratamento




Candida

Candida é um fungus comum normalmente controlado pelo sistema imunológico. Se o seu sistema imunológico sofre de imunossupressão, o Candida pode se desenvolver nas membranas mucosas ou em outro lugar do seu corpo, causando o sintoma conhecido como Candidíase (Candidíase oral).

Pessoas HIV-negativas podem sofrer Candidíase quando seus sistemas imunológicos estiverem regularmente abaixo do nível funcional normal devido a estresse ou álcool ou condições, como o diabetes. A Candidíase pode também afetar pessoas tomando antibióticos, já que estes matam temporariamente algumas das bactérias inofensivas que habitam o nosso organismo, o que gera uma oportunidade para o candida tornar-se patogênico.

Dentre as pessoas com HIV, é relativamente comum uma Candidíase leve na boca, mesmo quando a contagem das células CD4 estiver entre 200 e 400. Nas gengivas, língua, parte interna da bochecha e/ou parte superior da garganta (Candidíase orofaríngea), o Candida se desenvolve em grumos brancos que se desfazem, ou causa manchas vermelhas chamadas eritemas. A Candidíase esofágica (na garganta) é mais séria e é considerada como uma doença característica da AIDS. Essas formas de Candidíase podem tornar a alimentação dolorosa e difícil.

A Candidíase genital pode ocorrer na vagina em mulheres e, sob o prepúcio, em homens, causando coceira e dor leve. Em pessoas com avançada infecção por HIV, o Candida pode crescer em outras partes do corpo, como nos pulmões (Candidíase pulomonar).

Analisando as lesões, é fácil diagnosticar a Candidíase na boca ou no esôfago. Médicos retiram uma amostra com um lenço ou fazem um esfregaço para examinar o fungo quando outras partes do corpo estão afetadas.


Tratamento
A Candidíase responde bem aos medicamentos antifúngicos. Existem vários comprimidos disponíveis, como cetoconazol (Nizoral), itraconazol (Sporanox) e fluconazol (Diflucan). Alguns estão disponíveis em outras formas, como solução líquida para Candidíase oral, cremes para infecções na pele ou unha e pessários para Candidíase vaginal. Também são oferecidas pastilhas antifúngicas como clotrimazol, nistatina (Nystan) ou amfotericina, mas, geralmente, os comprimidos parecem ser os mais eficazes.

Os comprimidos antifúngicos podem causar efeitos colaterais, como náusea, vômitos e erupções. O itraconazol e o cetoconazol também podem interagir com outros medicamentos usados por pessoas com HIV. Assim, certifique-se de que seu médico lhe explique sobre quaisquer interações latentes.

Algumas espécies do Candida se tornam resistentes ao fluconazol, especialmente entre pessoas com baixas contagens de CD4 ou aquelas que o vêm tomando por muito tempo.


Prevenção
Caso desenvolva Candida antes de iniciar terapia anti-HIV, talvez você pense que o problema desaparecerá conforme sua contagem de CD4 aumenta e seu sistema imunológico se torna mais eficiente para combater infecções. No entanto, se o Candida persiste, medicamentos antifúngicos são eficazes na prevenção de Candidíase entre pessoas com baixas contagens de CD4. Por outro lado, médicos diferem nas recomendações. Alguns não defendem o uso de medicamentos antifúngicos como terapia preventiva (profilaxia), argumentando que é fácil tratar quaisquer ataques de Candidíase que ocorram e que exposição prolongada aos medicamentos poderia estimular resistência.

Outros, argumentam que a profilaxia antifúngica não causa tanta resistência quanto tratar de episódios intermitentes. Eles ressaltam que a profilaxia pode também ajudar na prevenção de infecções por fungos mais sérias, como Meningite Criptococomal, embora esta seja relativamente rara na Grã-Bretanha.

Iogurte, ingerido ou aplicado às áreas afetadas, ajuda na prevenção da Candidíase crônica, pois contém bactérias que podem interromper o crescimento dos organismos do Candida. Contudo, o iogurte também pode conter organismos que causam intoxicação, então escolha somente aquele rotulado como sendo de ‘rebanho certificado’.

Alguns terapeutas complementares recomendam evitar comida doce, farinha branca e amiláceos, supostamente a fim de privar de comida os organismos do Candida. Se você não aprova essa opção, consulte seu médico ou dieticista para ter certeza de que está obtendo calorias suficiente na sua dieta.




Fonte: Aidsmap
Imagem1: unimedeblumenau
Imagem2: Google

2 de novembro de 2008

Você não me ensinou a te esquecer





Você não me ensinou a te esquecer
Caetano Veloso
Composição: Fernando Mendes / José Wilson / Lucas


Não vejo mais você faz tanto tempo
Que vontade que eu sinto
De olhar em seus olhos, ganhar seus abraços
É verdade, eu não minto

E nesse desespero em que me vejo
Já cheguei a tal ponto
De me trocar diversas vezes por você
Só pra ver se te encontro

Você bem que podia perdoar
E só mais uma vez me aceitar
Prometo agora vou fazer por onde nunca mais perdê-la

Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando te encontrar
Vou me perdendo
Buscando em outros braços seus abraços
Perdido no vazio de outros passos
Do abismo em que você se retirou
E me atirou e me deixou aqui sozinho

Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
e te querendo eu vou tentando me encontrar

E nesse desepero em que me vejo
já cheguei a tal ponto
de me trocar diversas vezes por você
só pra ver se te encontro

Você bem que podia perdoar
E só mais uma vez me aceitar
Prometo agora vou fazer por onde nunca mais perdê-la

Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando te encontrar
Vou me perdendo
Buscando em outros braços seus abraços
Perdido no vazio de outros passos
Do abismo em que você se retirou
E me atirou e me deixou aqui sozinho

Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
e te querendo eu vou tentando te encontrar
Vou me perdendo
Buscando em outros braços seus abraços
Perdido no vazio de outros passos
Do abismo em que você se retirou
E me atirou e me deixou aqui sozinho

Agora, que faço eu da vida sem você?
Você não me ensinou a te esquecer
Você só me ensinou a te querer
E te querendo eu vou tentando me encontrar

Tropicália



Tropicália
Caetano Veloso

Sobre a cabeça os aviões
Sob os meus pés os caminhões
Aponta contra os chapadões
Meu nariz
Eu organizo o movimento
Eu oriento o carnaval
Eu inauguro o monumento
No planalto central do país...

Viva a bossa
Sa, sa
Viva a palhoça
Ca, ça, ça, ça...(2x)

O monumento
É de papel crepom e prata
Os olhos verdes da mulata
A cabeleira esconde
Atrás da verde mata
O luar do sertão
O monumento não tem porta
A entrada é uma rua antiga
Estreita e torta
E no joelho uma criança
Sorridente, feia e morta
Estende a mão...

Viva a mata
Ta, ta
Viva a mulata
Ta, ta, ta, ta...(2x)

No pátio interno há uma piscina
Com água azul de Amaralina
Coqueiro, brisa
E fala nordestina
E faróis
Na mão direita tem uma roseira
Autenticando eterna primavera
E no jardim os urubus passeiam
A tarde inteira
Entre os girassóis...

Viva Maria
Ia, ia
Viva a Bahia
Ia, ia, ia, ia...(2x)

No pulso esquerdo o bang-bang
Em suas veias corre
Muito pouco sangue
Mas seu coração
Balança um samba de tamborim
Emite acordes dissonantes
Pelos cinco mil alto-falantes
Senhoras e senhores
Ele põe os olhos grandes
Sobre mim...

Viva Iracema
Ma, ma
Viva Ipanema
Ma, ma, ma, ma...(2x)

Domingo é o fino-da-bossa
Segunda-feira está na fossa
Terça-feira vai à roça
Porém!
O monumento é bem moderno
Não disse nada do modelo
Do meu terno
Que tudo mais vá pro inferno
Meu bem!
Que tudo mais vá pro inferno
Meu bem!...

Viva a banda
Da, da
Carmem Miranda
Da, da, da, da...(3x)

Alegria, alegria




Alegria, Alegria

Caetano Veloso

Caminhando contra o vento
Sem lenço e sem documento
No sol de quase dezembro
Eu vou...

O sol se reparte em crimes
Espaçonaves, guerrilhas
Em cardinales bonitas
Eu vou...

Em caras de presidentes
Em grandes beijos de amor
Em dentes, pernas, bandeiras
Bomba e Brigitte Bardot...

O sol nas bancas de revista
Me enche de alegria e preguiça
Quem lê tanta notícia
Eu vou...

Por entre fotos e nomes
Os olhos cheios de cores
O peito cheio de amores vãos
Eu vou
Por que não, por que não...

Ela pensa em casamento
E eu nunca mais fui à escola
Sem lenço e sem documento,
Eu vou...

Eu tomo uma coca-cola
Ela pensa em casamento
E uma canção me consola
Eu vou...

Por entre fotos e nomes
Sem livros e sem fuzil
Sem fome, sem telefone
No coração do Brasil...

Ela nem sabe até pensei
Em cantar na televisão
O sol é tão bonito
Eu vou...

Sem lenço, sem documento
Nada no bolso ou nas mãos
Eu quero seguir vivendo, amor
Eu vou...

Por que não, por que não...
Por que não, por que não...
Por que não, por que não...
Por que não, por que não...