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10 de setembro de 2008

O Candidato e O Leitor




O Candidato e O Leitor
Paródia – Todo Mundo e Ninguém – Gil Vicente

Dinato, a ajudante do Diabo, está sentado numa cadeira, dormindo e roncando. Quando Belzebu, o Diabo, chega de sorrateiramente, e dá um susto em seu funcionário:

Belzebu: Dormindo em serviço! Muito bonito!

Dinato dá um pulo: Que é isso patrão! Eu tava só descansado os olhos!

Belzebu: Hum... sei...

Dinato, mudando de assunto pra não levar mais bronca: Então patrãozinho, o senhor está tão lindo hoje! O que vamos fazer neste mundo infernal?

Belzebu: Ah, ainda não sei. Acho que vamos dar um role por aí e ver o que os humanos estão fazendo.

Nisso entra “O Candidato”, vereador eleito e reeleito por vários mandatos e faz que procura algo no chão.

Belzebu e Dinato se escondem e começam a observar.

Logo em seguida, entra “O Eleitor” homem pobre e mal vestido.


Eleitor: Bom dia, senhor! O que está procurando?

Candidato: Ah! Procuro muitas coisas, muitas ao consigo, mas nunca desisto, pois sou muito teimoso e olho só pro meu umbigo.

Eleitor: Me diz seu nome então?

Candidato: “O Candidato” é assim que sou chamado, e passo o dia e o ano inteiro, correndo atrás de dinheiro, seja honesto ou roubado.

Eleitor: Meu nome é “O Eleitor”, e trabalho noite e dia, por toda a minha vida com muito suor e pouca alegria.

Belzebu, que estava em silêncio, ao ouvir a conversa dos dois, acena para Dinato, seu ajudante, e manda que tome nota:

Belzebu: Ouça, meu companheiro, que isso vale muito tomar nota:

Dinato, com o livro preto na mão: O que escrevo, Chefão do Mal?

Belzebu: Que “O Candidato” só quer dinheiro e “O Eleitor” trabalha como animal!

Eleitor: E que mais você almeja na vida?

Candidato: Eu procuro glória e poder! Mansões, iates, fazendas é tudo que mais quero!

Eleitor: Eu, como não posso enriquecer, paz e virtude eu espero. Amém! (faz o sinal da cruz)

Belzebu: Veja que coisa interessante! Anote o ponto segundo: “O Candidato” quer poder, e “O Eleitor” faz sempre a coisa certa e só se ilude!

Candidato: Além disso, meu amigo, eu adoro um puxa saco. Quero ser elogiado em todo e qualquer sentido, não importa se esteja certo ou errado!

Eleitor: Mas isso, pra mim não quero, ser ensinado eu espero, e se eu errar, quero ser repreendido.

Dinato: Chefe, essa também parece boa!

Belzebu: Então anota aí, serviçal (dando um tapa na cabeça de Dianto), pois isso é coisa de gente louca: “O candidato” quer ser louvado e “O Eleitor” só leva ralo!!

Eleitor: Nossa, meu amigo, sua vida é muito boa!

Candidato: Isso é verdade, companheiro. Viver bem é o que quero, como e fosse num paraíso. O que devo, eu não pago, pois não quero me preocupar com isso...

Eleitor: E eu trabalho muito, meu dinheirinho é suado, tudo que compro tem que ser pago, mas os juros são tão altos. Que agonia! Devo água, luz e telefone, meu nome ta sujo até nas Casas Bahia!

Belzebu: Veja, Dinato, isso também me parece muito interessante de deixar escrito no livro infernal: “O Candidato” só tem mordomia, e “O Eleitor” deve todo mundo e vive muito mal!

Eleitor: Mas como você tem tanto dinheiro sobrando?

Candidato: Ah! Isso é segredo profissional, mas como você é gente fina, isso vou te revelar: A mentira nasceu comigo e eu sou mestre em tapear.

Eleitor: Eu tenho vergonha da mentira, sempre digo a verdade, não roubo nem um centavo, pois quero pra mim somente a honestidade.

Belzebu, dando uma gargalhada: Isso sim é pra acabar!! Anote aí, caro Dinato: “O Candidato” é mentiroso e “O Eleitor” ainda acredita que há verdade!!

Dinato cai na risada junto com Belzebu.


Diana Pilatti
10.09.2008




* Esta paródia foi escrita para encenação no “Projeto Eleições 2008”, da Escola Estadual José Ferreira Barbosa, Campo Grande, MS.
* Imagem: Google
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