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8 de março de 2009

Dicas de leitura:




Neste final de semana a gripe me pegou em cheio e fui à locaute (ou lock-out como os adeptos aos estrangeirismos gostam)... estes momentos de cama são necessários para recuperação de energias e também são ótimos momentos para leituras... E minha dica de leitura da vez é o livro “Histórias para o Rei” da coleção Mineiramente Drummond, uma coletânea de contos realizada por Luiza de Maria (Drª em Teoria Literária e Literatura Comparada da USP). Uma delícia de coletânea, diga-se de passagem...
São 41 contos curtíssimos e bem-humorados sobre diversos temas, desde amores à bebedeiras, alguns são verdadeiros proemas (ou que outros autores costumam chamar de prosa poética) outros um convite a crítica e a reflexão...
Onde encontrá-lo? Eis a parte boa: Em qualquer biblioteca pública. A coleção Mineiramente Drummond, foi distribuída pelo Ministério da Educação em 2005 (o exemplar que leio, o encontrei na biblioteca da escola estadual onde trabalho), agora é só ir lá e degustar...
Dos contos que provei destaco “As três Graças” e a nossa amiga da vida inteira a celulite (rsrs)


As Três Graças
Carlos Drummond de Andrade

Um doutor em estética do corpo, ao visitar o Museu do Prado, em Madri, achou que as Três Graças, na tela de Rubens, sofriam de celulite, mais acentuada na Graça do centro.
Procurou o diretor do museu e sugeriu-lhe que o quadro fosse submetido a tratamento especial, de modo a ajustar os nus femininos aos cânones de beleza e higidez que hoje cultuamos.
O diretor ouviu-o polidamente e respondeu que nada havia a fazer, pois as obras-primas do passado são intocáveis, salvo quando acidente ou atentado tornam imperativa a restauração. Além do mais, pode ser que no século XVII o que hoje chamamos de celulite fosse uma graça suplementar.
À noite, o esteta inconformado tentou penetrar no museu, foi impedido e preso. Interrogado, explicou que queria raptar o quadro e confiá-lo a famoso especialista em cirurgia plástica, pois o caso não era de restauração nem de regime alimentar. Seria a primeira vez em que uma obra de arte receberia tratamento médico especializado, feito o qual tornaria ao museu.
O homem foi mandado embora, com a advertência de que sua presença não seria mais tolerada em museus espanhóis. E aconselhado a freqüentar assiduamente as praias, para se habituar às imperfeições do corpo humano, que formam a perfeição relativa.

História para o Rei – Coleção Mineiramente Drummond (p. 35)

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